Estamos vivendo um dos piores momentos na história de nosso país.

A crise sócio-político-econômica, que se agiganta a cada dia, tornou-se um pesadelo sem fim, atacando, destruindo e desmoralizando nossas principais instituições democráticas.

De forma avassaladora, os sucessivos escândalos na capital da República, veiculados na mídia ultimamente, envergonham a todos, impondo sofrimento desmedido aos brasileiros de boa vontade. Na medida em que o dinheiro público é desviado sem quaisquer escrúpulos para financiar a sórdida e arraigada corrupção no país, as incertezas destroem a esperança por dias melhores, causando enorme aflição em nossa população.

Somos um povo massacrado e achincalhado recorrentemente por obtusos líderes e governantes. O futuro é absolutamente imprevisível. Passamos a praguejar que o pior está sempre por vir. Nunca a manutenção da ordem e do progresso de nossa recente democracia esteve tão abalada.

Acostumados à sucessivas crises econômicas ao longo de sua história, o Brasil sempre superou os piores cenários.
Já na proclamação da Independência em 1822, o país nasceu marcado pelo desafio da superação. Na época, as exportações de açúcar estavam em baixa, e o governo foi obrigado a fazer empréstimos na Inglaterra, para indenizar Portugal pela Independência e financiar a Guerra da Cisplatina. Como toda crise pressupõe novas oportunidades, os fazendeiros de então modificaram sua gestão financeira e passaram a apostar na exportação de café para movimentar a economia nacional. Deu certo.

Mais de 100 anos depois, a economia brasileira voltou a sofrer novo e forte impacto com a crise de 1929, que caracterizou a quebra da bolsa de Nova York. Os principais países compradores do café brasileiro foram embora. O governo de Getúlio Vargas apostou todas suas fichas e começou a investir na criação da infraestrutura para o desenvolvimento da indústria no Brasil. Mais uma vitória. O planejamento financeiro foi eficiente e o processo de industrialização do país se consolidou nas décadas de 1940 e 50.

Anos mais tarde, vivenciamos o “Milagre Econômico” brasileiro, em que o PIB registrou média de mais de 10% ao ano, entre 1968 e 1973. O então governo do General Ernesto Geisel, empolgado com a prosperidade, contraiu vários empréstimos nos Estados Unidos. Porém, na mesma época, o governo americano aumentou as taxas de juros, elevando muito o valor da dívida. Consequentemente, a inflação disparou. Ocorria então a pior crise financeira da história do país, que se prolongou por toda a década de 1980.

Entre 1990 e 1992 tivemos o Plano Collor, marcado por um profundo momento de recessão econômica no Brasil. O cenário só foi revertido em 1994, quando o Plano Real conseguiu finalmente equilibrar o país. O Plano Real estabilizou a economia, mas a um custo muito alto. Os juros foram elevados e ocorreu a privatização de empresas públicas para manter a moeda valorizada. Em janeiro de 1999, o Banco Central promoveu grande desvalorização da moeda, o que provocou a quebra de bancos e um período de estagnação econômica que só foi revertido a partir de 2004, abrindo-se novamente um ciclo de crescimento, que foi novamente interrompido a partir de 2010.

Era de se esperar que um novo modelo de crescimento se apresentasse, e que tal qual nossa história retomaríamos o ritmo do crescimento. Mas, o que se viu foi exatamente o oposto. O país mergulhou na pior crise de sua história, afetando não só a economia, como também a política, as instituições, enfim, toda a sociedade. Estamos à beira do caos.

Os sucessivos escândalos e casos de corrupção na política, atingiram fortemente nossas principais instituições, pondo em xeque a credibilidade de órgãos e poderes da República. Nunca o país ficou tão vulnerável, sem rumo nem direção, tudo a partir de um modelo de governo corrupto, vil, não menos imoral.

Agora, o que se espera é uma necessária e profunda reforma. Não só as propagadas reformas da previdência e trabalhista, mas também reforma educacional, tributária, e sobretudo uma reforma moral, institucional, ética. A começar pelas eleições de 2018, podemos e devemos renovar todos representantes do povo no Congresso Nacional, resgatando conceitos e valores perdidos ao longo dos últimos anos, sob pena de nunca mais termos orgulho de ser brasileiros. Precisamos como nunca de mãos limpas!

 

Walter Nery Hilel Cardoso